16/12/2010

O cesto de Natal da tia Cyrilla



Quando Lucy Rose encontrou a tia Cyrilla a descer as escadas, algo ofegante e ruborizada pela ida ao sótão, com um cesto enorme, com tampa, enfiado no braço roliço, soltou um pequeno suspiro de desespero. Há alguns anos que Lucy Rose fazia o melhor que podia – de facto, desde que tinha prendido o cabelo e aumentado ao comprimento das saias – para que a tia Cyrilla perdesse o hábito que tinha de levar aquele cesto com ela, sempre que ia a Pembroke; mas a tia Cyrilla insistia em levá-lo e só se ria do que ela apelidava de «ideias afectadas» de Lucy Rose. Lucy Rose achava horrível e extremamente provinciano a tia carregar sempre o cesto consigo, cheio de coisas boas do campo, de cada vez que ia visitar Edward e Geraldine. Geraldine era tão elegante que talvez achasse aquilo estranho; e depois, a tia Cyrilla levava-o sempre no braço, e dava biscoitos, maçãs e chupa-chupas de melaço a todas as crianças que encontrava e, de vez em quando, também a pessoas de idade. Quando Lucy Rose ia à cidade com a tia Cyrilla, sentia-se desgostosa com isto – mas Lucy era ainda muito nova e tinha muita coisa a aprender neste mundo.
Aquela preocupação incómoda sobre o que Geraldine pensaria, encorajou-a a protestar naquele instante.
— Ora, tia Cyrilla — apelou — de certeza que, desta vez, não vai levar aquele cesto velho e esquisito consigo para Pembroke. É Dia de Natal e tudo!
— Claro, claro que vou — respondeu a tia Cyrilla, enquanto o punha em cima da mesa e começava a limpá-lo. — Nunca fui visitar o Edward e a Geraldine, desde que estão casados, sem levar o cesto das coisas boas comigo e não vai ser agora que vou deixar de o fazer. Se é Natal, mais uma razão. O Edward fica sempre muito contente por ter algumas das coisas antigas da casa da quinta. Diz que são muito superiores às cozinhadas na cidade, e são mesmo.
— Mas é tão provinciano — lamentou-se Lucy Rose.
— Bem, eu sou da província — disse a tia Cyrilla, firmemente — e tu também. E depois, não vejo motivo para sentirmos vergonha disso. Tens um amor-próprio excessivo, Lucy Rose. Com o tempo há-de passar-te, mas neste momento está a causar-te muitos problemas.
— O cesto é um problema — disse Lucy Rose, zangada. — A tia está sempre a esquecer-se dele, ou com medo de se esquecer. E parece tão estranho andar pelas ruas com esse cesto grande e bojudo no braço!
— Não estou nada preocupada com as aparências — respondeu a tia Cyrilla, calmamente. — Quanto a ser um problema, ora, talvez seja, mas é um hábito meu e outras pessoas apreciam. O Edward e a Geraldine não precisam disto – eu sei – mas pode haver quem precise. E se caminhares ao lado de uma mulher velha e provinciana, com um cesto, fere os teus sentimentos, ora, podes ficar para trás como dantes.
A tia Cyrilla meneou a cabeça e sorriu bem-humorada, e Lucy Rose, embora mantivesse a sua opinião pessoal, também teve de sorrir.
— Agora, deixa-me ver — disse a tia Cyrilla, reflectindo e batendo com a ponta do dedo indicador em cima da mesa da cozinha branca como a neve — o que levo? Para já, aquele bolo grande de frutas — o Edward gosta do meu bolo de frutas; e aquela língua cozida fria. Aquelas três tortas de carne picada, também, se não estragam-se antes de voltarmos, ou, então, o teu tio fica doente ao comê-las – torta de carne picada é o seu pecado mortal. E aquele frasco de barro cheio de natas – a Geraldine pode ter muita classe, mas ainda tenho de a ver desprezar umas natas do campo, Lucy Rose! E outro frasco do meu vinagre de framboesa. Aquele prato de biscoitos de geleia e dónutes vão agradar às crianças e encher os pequenos espaços vazios, e podes trazer-me aquela caixa de caramelos que está na despensa e aquele saco de barras de bombons às riscas que o teu tio me trouxe, ontem à noite, ali da esquina. E maçãs, claro – três ou quatro dúzias daquelas boas — e um frasquinho da minha compota de ameixa rainha-cláudia – o Edward vai gostar. E algumas sanduíches e bolo inglês para um lanche para nós. Agora, acho que de mantimentos já chega. Os presentes para as crianças podem ir por cima. Tenho uma boneca para a Daisy, um barquinho que o teu tio fez para o Ray, um lenço de mão em renda de bilros para cada um dos gémeos e a touca de crochet para o bebé. Agora está tudo?
— Há uma galinha assada fria na despensa — disse Lucy Rose com maldade — e o porco, que o tio Leo matou, está dependurado no alpendre. Também quer metê-los aí dentro?
A tia Cyrilla exibiu um sorriso amplo.
— Bem, acho que deixamos o porco em paz; mas uma vez que me lembraste, a galinha também pode ir. Arranjo espaço.
Apesar dos preconceitos, Lucy Rose ajudou a embalar e, mesmo não tendo sido supervisionada pelo olho da tia Cyrilla, fez tudo muito bem, com muita inteligência e economia de espaço. Mas depois de a tia Cyrilla ter colocado, como toque de acabamento, um ramo de perpétuas cor-de-rosa e brancas, e fechado as tampas bojudas com mão firme, Lucy Rose ficou junto do cesto e murmurou vingativamente:
— Um dia, vou queimar este cesto – quando tiver coragem suficiente. Então, será o fim e deixará de o levar consigo para todo o lado, como uma velha vendedora da praça.
O tio Leopold entrou naquele preciso momento, meneando a cabeça com ar de dúvida. Não iria passar o Natal com Edward e Geraldine, e talvez a perspectiva de cozinhar e de comer o seu jantar de Natal sozinho o deixasse pessimista.
— Desconfio que vocês não vão conseguir chegar a Pembroke amanhã — disse com sabedoria. — Vem aí uma tempestade.
A tia Cyrilla não se preocupou com isso. Acreditava que assuntos deste tipo estavam predeterminados, e dormiu tranquilamente. Mas Lucy Rose levantou-se três vezes durante a noite para ver se havia temporal e, quando adormeceu, teve pesadelos horríveis com lutas no meio de tempestades de neve ofuscante que arrastavam para longe o cesto da tia Cyrilla.
De manhã cedo, não estava a nevar e o tio Leopold levou a tia Cyrilla, Lucy Rose e o cesto até à estação, que ficava a quatro quilómetros de distância. Quando chegaram lá, o ar estava carregado de flocos flutuantes. O chefe da estação vendeu os bilhetes com um ar mal-disposto.
— Se vier mais neve, os comboios talvez atrapalhem o Natal — disse.
— Tem nevado tanto que o tráfico já está a ficar bloqueado, e é difícil retirar a neve para restabelecer a circulação.
A tia Cyrilla disse que, se estivesse previsto que o comboio chegasse a tempo do Natal a Pembroke, chegaria; abriu o cesto e deu ao chefe da estação e a três rapazinhos uma maçã a cada um.
— Isto é só o começo — suspirou fundo Lucy Rose.
Quando o comboio delas chegou, a tia Cyrilla instalou-se num banco, colocou o cesto no outro e olhou sorridente à sua volta para os companheiros de viagem.
Havia poucos – uma mulher delicada ao fundo da carruagem, com um bebé e mais quatro crianças, uma jovem no meio do corredor com um rosto pálido e bonito, um rapaz, três bancos à frente, vestido com um uniforme caqui, uma senhora, na frente dele, muito elegante num casaco de pele de foca, e um homem jovem, magro e de óculos, do lado oposto.
— Um sacerdote — reflectiu a tia Cyrilla, começando a classificar — que cuida melhor da alma dos outros do que do seu próprio corpo; e aquela mulher de casaco de pele de foca está triste e zangada com alguma coisa – talvez se tenha levantado demasiado cedo para apanhar o comboio; e aquele jovem companheiro deve ser um dos que saíram há pouco tempo do hospital. Os filhos daquela mulher é como se não tivessem comido uma refeição decente desde que nasceram; e se aquela rapariga do outro lado tem mãe, gostaria de saber o que significa deixar a filha sair de casa, com este tempo, com uma roupa daquelas.
Lucy Rose apenas se perguntava desconfortavelmente o que pensariam os outros do cesto da tia Cyrilla.
Contavam chegar a Pembroke naquela noite, mas à medida que o dia passava, a tempestade cada vez tornava-se mais violenta. O comboio parou duas vezes para que os ajudantes retirassem a neve. À terceira vez não conseguiu continuar. Estava escuro quando o condutor deu uma volta pelo comboio, respondendo bruscamente às perguntas dos passageiros ansiosos.
— Uma boa vigília de Natal — não, é impossível continuar ou voltar — o caminho está bloqueado durante milhas — o que é isso minha senhora? — não, não existe nenhuma estação perto — só existem bosque ao longo do caminho. Ficamos aqui esta noite. Estas últimas tempestades têm causado muitos prejuízos em todo o lado.
— Oh, meu Deus — suspirou Lucy Rose.
A tia Cyrilla olhou para o cesto com satisfação.
— De qualquer forma, não morreremos de fome — disse.
A rapariga bonita e pálida parecia indiferente. A senhora com o casaco de pele de foca parecia mais zangada do que nunca. O rapaz de caqui disse «só a minha sorte» e duas das crianças começaram a chorar. A tia Cyrilla tirou do cesto algumas maçãs e barras de caramelos às riscas, e deu-lhos. Pôs o mais velho no seu colo amplo, e rapidamente os tinha todos à sua volta, rindo satisfeitos.
Os passageiros restantes afastaram-se para um canto e começaram a falar casualmente. O rapaz de caqui disse que, afinal de contas, era pouca sorte não chegar a casa para o Natal.
— Fui, há três meses, afastado do serviço militar na África do Sul por invalidez, e desde então, tenho estado no hospital. Cheguei a Halifax há três dias e telegrafei aos meus velhos amigos a dizer que jantaria com eles no dia de Natal e que tivessem um perú de tamanho extra, porque não comi nenhum o ano passado. Vão ficar extremamente desapontados.
O rapaz também parecia desapontado. Uma das mangas do uniforme caqui estava vazia. A tia Cyrilla passou-lhe uma maçã.
— Nós íamos todos passar o Natal a casa do avô — disse, com tristeza, o filho mais velho da jovem mãe. — Nunca lá estivemos antes. É terrível!
Parecia que queria chorar, mas pensou melhor no assunto e encheu a boca com mais uma dentada de rebuçado.
— Será que vai haver Pai Natal no comboio? — perguntou a irmã pequena a chorar. — O Jack diz que não.
— Tenho a certeza de que o Pai Natal vai descobrir-te — disse a tia Cyrilla de uma forma tranquilizadora.
A jovem bonita e pálida aproximou-se e tirou o bebé à mãe cansada.
— Que coisinha fofa — disse com meiguice.
— Também vais a casa passar o Natal? — perguntou a tia Cyrilla.
A rapariga meneou a cabeça.
— Não tenho casa. Neste momento, não passo de uma empregada de balcão sem trabalho, e vou até Pembroke para ver se arranjo alguma coisa.
A tia Cyrilla dirigiu-se ao cesto e tirou a caixa de caramelos de nata.
— Penso que também devemos divertir-nos. Vamos comer tudo e passar o tempo da melhor maneira possível. Talvez cheguemos a Pembroke de manhã.
O pequeno grupo começou a ficar cada vez mais animado à medida que petiscavam, e até a rapariga pálida ficou mais alegre. A jovem mãe contou a sua história à tia Cyrilla. Tinha sido afastada da família há muito tempo, porque não estavam de acordo com o seu casamento. O marido tinha morrido no Verão passado e deixou-a em circunstâncias muito precárias.
— O meu pai escreveu-me a semana passada e pediu-me para esquecer o passado e vir a casa passar o Natal. Fiquei tão contente. E as crianças não pensavam em outra coisa. É horrível não conseguir lá chegar. Tenho de voltar para o emprego na manhã a seguir ao Natal.
O rapaz de caqui aproximou-se de novo e partilhou do caramelo. Contou histórias divertidas sobre as operações militares na África do Sul. O sacerdote também se aproximou e ficou a ouvir, e até a senhora do casaco de pele de foca olhou para trás.
Mais tarde, as crianças adormeceram, uma no colo da tia Cyrilla, outra no de Lucy Rose e duas no banco do comboio. A tia Cyrilla e a rapariga pálida ajudaram a mãe a fazer camas para eles. O sacerdote cedeu o sobretudo e a senhora do casaco de pele de foca aproximou-se com um xaile.
— Isto serve para o bebé — disse.
— Temos de arranjar um Pai Natal para estes jovens — disse o rapaz de caqui. — Vamos pendurar as meias deles na parede e enchê-las o melhor que pudermos. Não tenho mais nada, a não ser umas moedas e um canivete.
— Eu também só tenho dinheiro — disse a senhora do casaco de pele de foca. A tia Cyrilla olhou para a jovem mãe. Tinha adormecido com a cabeça encostada às costas do banco.
— Tenho ali um cesto — disse a tia Cyrilla com firmeza — e tenho lá alguns presentes que estavam destinados aos filhos do meu sobrinho. Vou dá-los a estas crianças. Quanto ao dinheiro, penso que a mãe está a precisar. Contou-me a sua história e é digna de pena. Vamos fazer uma colecta entre nós para um presente de Natal.
A ideia foi bem acolhida. O rapaz de caqui passou o boné e todos contribuíram. A senhora de casaco de pele de foca colocou lá uma nota amarrotada. Quando a tia Cyrilla a endireitou, viu que se tratava de uma nota de vinte dólares.
Entretanto, Lucy Rose tinha trazido o cesto. Sorriu para a tia Cyrilla, enquanto o arrastava até ao corredor, e a tia Cyrilla devolveu-lhe o sorriso. Lucy Rose nunca tinha tocado naquele cesto por iniciativa própria.
O barco de Ray foi para Jack, a boneca de Daisy para a irmã mais velha, os lenços de mão em renda dos gémeos para as duas meninas mais pequenas e o gorro para o bebé. Depois, as meias foram enchidas com dónutes e biscoitos de geleia, e o dinheiro foi colocado dentro de um envelope e preso com um alfinete ao casaco da jovem mãe.
— Aquele bebé é tão fofinho — disse a senhora do casaco de pele de foca. Faz-me lembrar o meu filhinho. Morreu há dezoito natais.
A tia Cyrilla pôs a mão em cima da luva de pelica da senhora.
— O meu também — disse.
E depois, as duas mulheres sorriram com ternura uma para a outra. Mais tarde, descansaram um pouco das tarefas e todos comeram o que a tia Cyrilla chama um «lanche» de sanduíches e bolo inglês. O rapaz de caqui disse que nunca tinha provado nada nem de longe tão bom, desde que saíra de casa.
— Na África do Sul não nos davam bolo inglês — disse.
Quando amanheceu, a tempestade ainda era intensa. As crianças acordaram e ficaram loucas de alegria com as meias. A jovem mãe encontrou o envelope e tentou exprimir um agradecimento, mas não conseguiu; e ninguém sabia o que dizer, nem o que fazer, quando, felizmente, o condutor veio fazer uma digressão para lhes dizer que talvez tivessem de se conformar com a ideia de passar o Natal no comboio.
— Isto é grave — disse o rapaz de caqui — considerando que não temos provisões. Por mim não há problema, estou habituado a rações de combate, ou até a nada. Mas estas crianças vão ter um apetite enorme.
Então, a Tia Cyrilla mostrou-se à altura para a ocasião.
— Tenho aqui algumas rações de emergência — anunciou. — Há comida suficiente para todos e vamos ter o nosso jantar de Natal, embora frio. Primeiro, o pequeno-almoço. Há uma sanduíche para cada um e só temos de completar com o que sobrou de biscoitos e dónutes, e guardar o resto para uma refeição verdadeiramente boa ao jantar. A única coisa que não tenho é pão.
— Tenho uma caixa de bolachas de água e sal — disse a jovem mãe, ansiosa.
Ninguém na carruagem iria esquecer aquele Natal. Para começar, depois do pequeno-almoço, tiveram um concerto. O rapaz de caqui deu dois recitais, cantou três canções e fez um solo de assobio. Lucy Rose deu dois recitais e o sacerdote fez uma leitura de histórias cómicas. A pálida empregada de balcão cantou duas canções. Todos concordaram que o solo de assobio do rapaz de caqui tinha sido o melhor número, e a tia Cyrilla deu-lhe um ramo de perpétuas como prémio de mérito.
Depois, o maquinista veio com notícias mais animadoras, dizendo que a tempestade estava quase a passar e que pensava que o caminho ficaria livre dentro de algumas horas.
— Se conseguirmos chegar até à próxima estação, ficaremos todos bem — disse. — O ramal une-se ali à linha principal e os trilhos estarão limpos.
À tardinha, jantaram. Os ajudantes do comboio foram convidados a participar. O sacerdote trinchou a galinha com o canivete do homem do vagão do travão, e o rapaz de caqui cortou a língua e as tortas, enquanto a senhora do casaco de pele de foca misturava o vinagre de framboesa com a devida proporção de água. Pedaços de papel serviram de pratos. O comboio forneceu dois copos, e foi encontrada uma lata de meio litro de água e dada às crianças.
Todos declararam que nunca tinham desfrutado tanto de uma refeição em toda a sua vida. Foi, de facto, uma refeição muito divertida, e os cozinhados da tia Cyrilla nunca foram tão apreciados; de facto, só sobraram os ossos da galinha e os frascos das compotas. Não puderam comer as compotas, porque não tinham colheres, por isso, a tia Cyrilla deu-as à jovem mãe.
Quando tudo terminou, foi feito um voto sincero de agradecimento à tia Cyrilla e ao seu cesto. A senhora do casaco de pele de foca quis saber como é que ela fazia o bolo inglês e o rapaz de caqui pediu-lhe a receita dos biscoitos de geleia. E quando, duas horas mais tarde, o maquinista veio anunciar que o limpa-neve tinha chegado e que, em breve, retomariam o caminho, todos se interrogaram se só teriam passado menos de vinte e quatro horas desde que se conheceram.
— Sinto que estive com a senhora no campo de batalha toda a minha vida — disse o rapaz de caqui.
Saíram todos na primeira estação. A jovem mãe e os filhos tiveram de apanhar o comboio seguinte de volta para casa. O sacerdote ficou ali, o rapaz de caqui e a senhora do casaco de pele de foca mudaram de comboio. A senhora do casaco de pele de foca deu um cumprimento de mão à tia Cyrilla. Não voltara a mostrar-se triste nem zangada.
— Foi o Natal mais agradável que alguma vez passei — disse com convicção. — Nunca irei esquecer-me desse seu cesto maravilhoso. A empregadinha de balcão vai para minha casa. Prometi-lhe um lugar na loja do meu marido.
Quando a tia Cyrilla e Lucy Rose chegaram a Pembroke, não havia ninguém à espera delas, pois todos haviam desistido. A casa de Edward não era muito longe da estação e a tia Cyrilla decidiu ir a pé.
— Eu levo o cesto — disse Lucy Rose.
A tia Cyrilla acedeu com um sorriso. Lucy Rose sorriu também.
— É um velho cesto abençoado — disse a última — e adoro-o. Por favor, esqueça todas as patetices que sempre disse sobre ele, tia Cyrilla.


L. M. Montgomery
Ian Whybrow (org.)
O grande livro do Natal