14/12/2008

Um porco de estimação


O Ruça e o Zeca têm em sua casa um porco de estimação, o "Carnaval". Um dia prometeram levá-lo à escola.
Até que chegou a hora de se cumprir a promessa.
A mãe avisou-os de que no dia seguinte ela e o pai iriam almoçar fora. E que a comida deles ficaria pronta. Recomendava-lhes que levassem a chave.
Então o plano foi traçado e, mesmo nesse dia, os dois irmãos mais o Beto conseguiram arranjar um carrinho do supermercado. Trouxeram-no para casa e guardaram-no num vão escuro da escada. Para disfarçar, cobriram-no com sacos.
Esperaram que a mãe saísse e quase nem comeram. "Carnaval" consentiu na imobilização e as patas ficaram bem amarradas. Camuflaram bem o suíno e arrastaram o saco até ao patamar. Cá em baixo, Beto estava preparado com o carrinho de cargas.
E na escola a grande festa começou.
Ruça segurava a trela. Zeca fez uma cócega na barriga do porco; o bicho ficou logo dei-tado de pança para o ar e a mexer as patas, num quase entendimento das palavras. Depois, pesadão, rodava a cabeça, farejava e mais outro miúdo queria cocegar-lhe a barriga. Até que a professora surgiu na varanda da escola e bateu as palmas.
— Está na hora, meninos! Qual quê! Ninguém lhe ligou.
Ela desceu, veio ao pátio e quis saber o que se passava... Ruça afagou a espinha do bicho e contou que "Carnaval" era um porco que tinha aprendido a fazer habilidades.
— E os pais dele? — perguntou um dos miúdos. E outro respondeu:
— Devem ter morrido na guerra contra os talhos. E todos desataram à gargalhada.
Então o porco exercitou as habilidades que aprendera e os miúdos ficaram contentes com a professora a dar atenção àquelas brincadeiras.
— A camarada professora pode tocar na barriga dele que está limpa. Toma banho todos os dias.
Aí a professora cocegou também e os miúdos bateram palmas. Foi quando despontou uma lembrança:
— Zeca, solta a corda. Vamos fazer uma roda e deixar o "Carnaval" no meio! — sugeriu Beto.
O porco andava de um lado para o outro, a dar encontrões aos miúdos, e voltava para o meio do círculo em velocidade de corrida. Fazia uma pausa, abanava as orelhas e voltava a tentar furar a roda. Os garotos enxotavam e ele repetia a cena, até que numa arranca-da veloz passou no meio das pernas da professora e fugiu.


Manuel Rui, Quem Me Dera Ser Onda