30/11/2008


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A Montanha Azul



Começo por te falar de uma montanha que ganha nova cor em cada Primavera, ao ficar magicamente coberta de flores pequenas e azuladas — gencianas e campainhas...
Chegou o mês de Maio. É Primavera! A montanha está azul como os olhos dos anjos.
Lá no cimo, há um castelo com um portão de madeira e ferro, e quatro torres que quase chegam ao céu. E o Castelo da Montanha Azul.
Quem o olhe aqui debaixo, do vale, apenas verá um castelo de pedra, parecido com outros. Porém, quem nele se atrever a entrar encontrará um mundo fantástico, cheio de mistérios, segredos, enigmas e muitas, muitas histórias para contar...
Acho que se pode ir bater ao portão do castelo e esperar que nos abram a porta... Sempre tive muita curiosidade em conhecer um castelo habitado, sim, porque os outros, aqueles em que já ninguém mora, interessam-me muito menos.
Já decidi: vou ao castelo. É isso mesmo que eu vou fazer. Tu podes seguir a minha trajectória, se quiseres fazer-me companhia nesta aventura...
Primeiro, é preciso escalar a montanha, o que não é tarefa fácil, mas tenho o pressentimento de que vai valer a pena.
Lá vou eu!
Olhando à direita e à esquerda vejo como são mesmo azuis as res que cobrem a terra! Acho que nunca tinha caminhado entre flores assim tão bonitas! Não é à toa que chamam a esta montanha a Montanha Azul!
Ah! Dá mesmo vontade de respirar fundo, que este ar é muito mais puro do que aquele que respiramos lá em baixo, na cidade. Nem se pode comparar!
E melhor continuar a subida, que a meta é mais acima.
Tão perto estou já do castelo que quase parece que vou chegar ao céu! Como é alta esta montanha! O melhor é não olhar para o lugar de onde vim, senão ainda posso ficar com tonturas...
Cheguei! Cá estou, finalmente, em frente do portão. E muito maior do que parecia lá debaixo!
Que estranho... está aberto!
Vamos entrar?
Também ouviste ranger, aí onde te encontras? Não te assustes. E só um portão muito velho, a precisar de um pouco de óleo nas dobradiças.
Vê só que portaria enorme! E como é bonito este chão de pedra, apesar de tão antigo e gasto! Está mesmo muito gasto! Quantos pés não devem ter já pisado este chão!...
Escuta!... Parece-me que ouço o ruído de dedos num teclado... Na primeira sala à direita está alguém... Vou aproximar-me! Ah-ha, já calculava: é uma escritora, sentada à escrivaninha, em frente de um computador. Deve ter acabado de escrever um livro, porque parece contente, embora um pouco cansada. E, certamente, a pessoa indicada para falar deste castelo, já que tudo leva a crer que mora aqui.
A escritora precisa de ir descansar antes de falar comigo. Compreendo perfeitamente. Pede-me delicadamente que espere no salão. Assim farei, enquanto ela vai repousar um pouco.
Escrever um livro deve ser muito interessante, mas também é capaz de cansar um bocado...



Maria Teresa Maia Gonzalez, in O Castelo dos Livros