18/07/2008

O Celacanto

Eu não tinha o privilégio de saber o que era um celacanto nem vontade de confessar a Jacinta essa minha ignorância. Sentia-me muito ensonado e deixei-a falar, falar. Isto e a concentrar-me no fio telefónico anelado, suspenso da minha mão esquerda. Má invenção a dos fios espiralados, doidos de vida, que se enrodilham, mínimos e complicativos, ávidos de enovelar dedos incautos. Parece que praticaram em filmes de terror. O auscultador a rodopiar, e a chegar-me, sincopada, presente, ausente, presente, ausente, a voz célere de Jacinta. Perdi muitas das palavras dela, poupa-se-me o trabalho de as reproduzir. Interessava-me suster o auscultador no ponto exacto em que ele desataria a girar ao contrário e a ensarilhar o fio ao invés, para, brusco, lhe impor uma flexibilidade doméstica, honrada. Eram nove horas, Sábado, eu ainda estava na cama e não me ocorria pronunciar-me sobre celacantos, fosse isso o que fosse. Ligando palavras e retalhos de frase, num raciocínio pouco rápido e menos hábil, cheguei à suspeição enevoada de que ela havia perdido um celacanto e quando voltei a encostar o auscultador ao ouvido, tranquilizei: “deixa lá, depois compras outro”. Se fosse eu a perder um celacanto nunca mais sequer pensaria no assunto. O silêncio escuro que gelou o auscultador assinalou-me a reacção hostil, do lado de lá. Ainda balbuciei: “Jacinta! Jacinta”! Mas desliguei, depois de ouvir um convicto sinal contínuo.
A minha relação com Jacinta havia esmorecido há meses, lentamente, sem drama, em distraída delonga, como um anoitecer suave. Fomos deixando de nos ver, esquecendo isto e aquilo. Jacinta era possuída dum excesso de energia e de vontade que, não raro, se tornava fastidioso. Conferia minuciosamente as contas do restaurante, levantava-se pela alba, tagarelava com a porta do elevador entreaberta, discutia com a vizinhança, e administrava ao mesmo tempo quatro ou cinco actividades muito embrulhadas. Eu era a quinta ou sexta. Fui deixando de aparecer e Jacinta não deu mostras de reparar nisso. Passou a telefonar-me, de vez em quando, muito espaçadamente, só para comunicar assuntos rebarbativos, como se eu me tivesse tornado numa espécie de consultor para sensaborias. Desta vez era o tal celacanto. Fiquei arrependido de ter cometido alguma falta, embora sem saber bem qual fosse. Insustentado e moengo, havia um sentimentozinho de culpa a zunir-me em qualquer lado.
Mas, pouco tardou, vinha Jacinta de novo ao telefone, na altura em que eu já ia em meia cara barbeada. Pensei: “estou aqui, estou a encher o bocal de creme de barbear”. Meu dito, meu feito. Jacinta pôs-me ao corrente da situação, agora em voz pausada, muito tranquila,, com insistentes “percebes?” intercalares, para se assegurar de que eu me não distraía. Foi abstracta, vaga, mas autoritária. Daí a nada, estava eu a encontrar-me com ela, num café à Escola Politécnica. O telefone ficou coberto de espuma branca, fervilhante e gordurosa. Não é que isso tenha importância. Mas irrita-me sobremaneira.
Foi breve nos cumprimentos, como se nos tivéramos encontrado ainda ontem e entrou logo na matéria, começando pelo respectivo contexto. Era agora sócia duma galeria de arte, muito ampla, generosamente estipendiada, que expunha “instalações” de jovens escultores. Mais tarde eu teria ocasião de ver as “instalações”. Um enorme pássaro de bico esponjoso, oscilante, que se embebia de um líquido viscoso a rasar um bidão amolgado, de obras. Um espantalho vestido de fraque no chão exibia entre as palhas dos pulsos uma cartolina que dizia “Apressa-te”, em gótica. Um altifalante, entre risos de criança, debitava, cavernoso: “nem tanto, nem tanto”. E um tractor de brinquedo ia chocando com as paredes e os pés dos visitantes, até que se lhe acabassem as pilhas que um funcionário de camisola rolada substituía. Num canto, um enorme escorrega de madeira deslizava para uma roda ouriçada de lâminas, sempre a girar. Uma pantalha gigante mostrava uma cidade arreganhada de arranha-céus, com o Papa a sorrir, no canto inferior esquerdo. Som de passarada e uma vozinha, a espaços: “guarda-te em casa”! Das outras “instalações” não quero lembrar-me agora.
“Pronto, um celacanto, e depois?” Eis uma significativa colher que redemoinha na chávena de café de Jacinta até mais o aquecer pelo atrito, dingalingue, e já está em brasa outra vez. “Não digas mais nada! Não te atrevas! - Era Jacinta agora, de colher em riste, apontada ao meu sobrolho. Havia um inquietante resplendor de beleza, naqueles olhos pretos, matadores, e na boca franzida em fúria. O instante valia bem um celacanto. Mais do que a ouvir, eu deliciava-me a olhar para ela. Nunca tinha apreciado, em melhores horas, estes tentadores momentos de cólera. E o celacanto, bem entendido, o que era?
Um peixe. Existe na terra há mais de setenta milhões de anos, mas nunca demos por isso. Surgiu primeiro aos observadores em forma de fóssil, sumido e trabalhoso. Considerou-se extinto, lá para as funduras dos antedilúvios primordiais. Até que um dia se descobriram celacantos vivíssimos da costa a serem pescados no Canal de Moçambique. Iguaizinhos aos fósseis, mas com mais energia. São desconformes, largos, pardos, feios e sofrivelmente comestíveis. Jacinta leu uma reportagem em qualquer lado e teimou que precisava de um celacanto para honrar a exposição. Questão de dias, achar contacto em Moçambique e negociar uma transferência do celacanto, em bojo de avião, num tanque especial com a inscrição “xarroco tropical”. Foi um negócio caro e escuro. Ao que parece, o celacanto está planetariamente protegido. Mas o patrocinador da expedição, um construtor civil ligado ao futebol, e com interesses em África, achou graça à ideia. E assim, o “xarroco tropical” desembarcou no aeroporto de Lisboa, marchou num contentor até à Escola Politécnica e foi despejado num aquário com todos os requisitos. Passou a ser celacanto outra vez.
“ E estava de boa saúde, o bicho?” – perguntei eu. “É melhor vires ver!”, respondeu Jacinta. Eu protestei. Não queria ver peixes doentes. Jacinta derribou mais o sobrolho. “Anda daí”. Era como faíscas a chisparem do corpo dela e um tornado em redor. Ala rua afora e eu atrás, com medo de a irritar mais.
A porta da galeria era de ferro grosso forjado, com mais arrobas do que um primeiro arremesso de Jacinta poderia suportar. Meti corpo a ajudá-la, muito embaraçada com as chaves, e, no interior, a fui eu quem encontrou o interruptor da luz. A porta ficou aberta. Achei interessante aquele nervoso contacto de mãos e aquela cumplicidade de guerra. Mas Jacinta não estava, decididamente disposta a sentimentalices. Ainda as luzes fluorescentes se indecidiam, naquele irritante vai não vai que lhes é próprio, já Jacinta se precipitava, quase correndo entre as “instalações”. Vestida de preto, a figura sobressaía elegantemente entre a brancura de luzes e de painéis. “Anda, anda depressa”. Eu tinha ficado a olhar para um tanque de vidro esverdeado, cheio de águas, com tubos pretos a borbulhar e uma inscrição numa placa de madeira. “celacanto”. O aquário estava vazio, mas Jacinta nem lhe deitara um olhar. Parou em frente duma porta, encostou-se a ela, braços afastados como se a quisesse proteger e disse-me, alto: “estás preparado?”. Eu, cá por mim, estava por tudo. Mas ela não queria resguardar a porta. Era um arremesso de dramatização. Tanto que a abriu.
Clique de luz. Aquilo era um compartimento alto, interior, muito branco, com meia dúzia de caixotes encostados a parede. Um vazio reflectido que fazia mal à vista. Jacinta olhava para cima, à procura de qualquer coisa. Mas eu sobressaltei-me com uma sombra lenta que se ia contorcendo pelo chão. Só depois encontrei o olhar de Jacinta e me apercebi da origem da sombra. Lá no alto, logo abaixo da lâmpada fluorescente, sereno e majestoso, de barbatanas peitorais em riste, vogava um grande peixe, do tamanho dum atum, dos grandes. A cauda parecia ter sido cortada e substituída por um rendilhado de escamas. A bocarra transversa, medonha, mantinha-se felizmente, fechada. “Aí o tens!” e Jacinta atirou o pulso ao alto, com o ar triunfante de quod erat demonstrandum. Quando eu lhe observei timidamente que os peixes não voam, ela respondeu, irónica, que os moscardos também não podem. Tirando o moscardo, a única vez que vi um bicho a voar sem ter com quê, foi uma cobra num livro de Lídia Jorge. Mas isso era ficção, a mesma autora não o nega. Agora aquele celacanto, ainda por cima grosso, feio e mandibulado... Jacinta desapoquentou-me. Ele era sossegado, não fazia mal, não apreciava humanos. Nem sequer nos olhava. Com efeito, o animal sustinha-se lá em cima, numa trajectória lenta, circular, as barbatanas a ondular ao de leve, o olhos postos na luz.
“Que é que eu faço, diz-me”?, arrepelava-se Jacinta. “não sei, respondi eu, talvez se chamasses alguém...!”. “mas porque é que pensas que eu te telefonei?”. “Eu?” A meio do altercado porque tira e porque deixa que se seguiu, Jacinta levou, de repente as mãos à boca e faltou-lhe a voz. Eu aproximei-me, inquieto, apaziguador, mas ela pronunciou, num soluço: “a porta!”. Voltei-me e ainda distingui o rabo franjado do celacanto a sumir-se, rés ao canto superior direito da ombreira. Reagimos demasiado tarde e, presumo, se tivéssemos reagido cedo, o resultado seria o mesmo. O celacanto atravessara o salão em dois tempos e esgueirara-se pela porta de saída para o sol da Rua da Escola Politécnica. E aí planava ele agora, luzidio, a observar com curiosidade um letreiro duma agência imobiliária.
Aos transeuntes importava mais, porventura, o nosso aspecto de par desinquieto, aos saltinhos, ora a afastar-se, ora a unir-se, que aquela figura de peixe que se deslocava lentamente nas alturas dos primeiros andares. É mais sedutor observar pelo canto do olho um casal atabalhoado, do que prestar atenção a um bicho pairador que pode muito bem ser um truque publicitário. Houve um sujeito que fez pala com as mãos, em frente dos olhos, examinou o celacanto e, depois, prosseguindo marcha, nos informou, com ar de desdém: “é um xarroco gigante.” Jacinta teve esperança de que, agitando os braços, conseguiria convencer o animal a reentrar na galeria. Eu fiz de conta que não a conhecia, quando ela começou naquele preparo, e embebi o espírito numa montra de calçado. Pelo reflexo, notei que o celacanto ia deslizando, devagar, pelos ares, com um esforço mínimo para evitar fios e tabuletas. Jacinta estava de novo junto de mim, aflita: “e se ele desce e é atropelado por um autocarro?”. “Há celacanto para o jantar!” Mas o peixe já ia a virar para o Monte Olivete!”.
Chegámos esbaforidos ao cruzamento. O celacanto parecia à nossa espera, à altura de três ou quatro metros, do lado esquerdo da rua, cabeçorra encostada a uma janela. Não tinha uma figura elegante, mas apesar de pesadote e torto, balançava-se com uma lentura mansa, muito contida e aristocrática. Fiquei na esquina, em observação. Jacinta optou por descer a rua e desatar aos gritos, “Ei, ei!” E o celacanto, nada. Fui-me chegando, a olhar para cima, mas sempre fingindo que não conhecia Jacinta.
De súbito, podia esperar-se tudo menos isto: não é que as vidraças se abrem, repica delas um guarda chuva enorme, daqueles que se usam nos campos, fecha e abre e fecha e abre, como um molusco das profundas e envolve o celacanto, que mal se debate? Jacinta e eu vimos umas contorções lentas e umas sacudidelas inconvictas, entre o drapejar de panos do guarda chuva e depois foi uma recolha sugada, janela dentro e a vidraça fechada com estrondo. Interroguei Jacinta com o olhar, porque a fala não podia. E ela, plantada no passeio, com os punhos nas ancas, bramiu: “Isto não fica assim!”
Eu, por mim, dava a jornada por terminada e o celacanto por bem entregue, mas Jacinta arrastava-me pelo braço: queria apresentar participação na polícia. “Escuta, pára e ouve-me bem. Vais queixar-te de que um peixe entrou por uma janela, a voar...?” “Entrou? Qual entrou? Tu sempre a simplificar. Foi roubado. Eu bem vi o truque do guarda-chuva”. Enquanto, a largas pernadas, percorríamos a Escola Politécnica em direcção à Esquadra do Rato, eu procurava demover Jacinta de recorrer à autoridade. Não via ela que nem o polícia mais arguto e letrado de Lisboa estaria disposto a admitir um celacanto voador capturado nas alturas do Monte Olivete? “Eles dão-te um calmante, eles chamam a ambulância, eles internam-te, vais de camisa de forças!” “Eu sei o que faço”, respondia-me ela, e sempre a andar.
Furou pela esquadra dentro, não ligou ao agente de serviço, foi direita ao comissário. Eu já tinha preparado uma justificação na ponta da língua: “aqui a minha amiga anda muito nervosa, excesso de trabalho, dá-lhe para ver coisas, desculpem lá, ela precisa é de repousar, eu levo-a, eu levo-a”. Mas Jacinta, muito calma declarava, alto e bom som, que um jovem lhe tinha roubado por esticão um fio de ouro e depois se havia barricado num primeiro andar da Rua do Monte Olivete, insensível a protestos. E eu, que me encontrava ali por acaso, e tudo minuciosamente presenciara, podia ser arrolado como testemunha. Correram autos e pormenores. Mas, daí a pouco, derivávamos ambos no banco de trás dum carro de polícia, ziguezagueando, com a sirene ligada, a caminho do desconhecido. Sussurrei a medo, confiante em que a sirene me cobrisse as palavras: “sabes em que é que te meteste? Denuncia caluniosa! É sinistro, devastador” “Estou-me marimbando”, respondeu Jacinta, “estes é como se andassem a pisar ovos. Carregue-lhe no prego, ó senhor guarda!”. E fizeram-lhe a vontade.
Numas escadas melancólicas, acudiu à porta um velho magríssimo, em pijama, de ar amolecido, dobrado, chorincas. Pela fresta entreaberta, os polícias e nós podíamos distinguir uma velhota de xaile de lã e uma rapariga sombria, sentadas a uma mesa. A mobília era pobre, desconforme, gasta por muitos tempos. Um dos agentes perguntou onde é que estava o rapaz. O velho ficou-se, a olhar, sem atinar com o que dizer. Jacinta entrou de rompante, antes que o agente inquirisse, formalmente se estávamos autorizados.
Era desconsolador, invadirmos assim aquela sala pobre e sentir o desconforto e o pasmo dos inquilinos. Mas Jacinta não estava sensível a misérias. Reparou logo no desmesurado guarda-chuva, encostado a um dos lados do aparador. Apontou e fez-me um sorriso triunfal. E ainda o agente da autoridade indagava dos timoratos inquilinos se havia entrado ali um rapaz portador dum alheio fio de ouro, quando ela bradou: “Olha! O celacanto”. A cabeçorra achatada do peixe espreitava, acima da sanefa de veludo antigo, cor de burro quando foge. Ao grito de Jacinta estremeceram convulsos os panos, expeliram poeiras e, num impulso, o celacanto debateu-se e lá veio plantar-se preguiçosamente ao lado do candeeiro de pingentes. Foi com o guarda-chuva que, muito bélica, Jacinta o empurrou dali para fora e escada abaixo. E, desta vez, pela pressa com que escapava, o celacanto parecia assustado.
Mais assustado fiquei eu que, ali mesmo, tive de dar embrulhadas explicações à polícia e pedir desculpas aos moradores. A autoridade não estava muito interessada no peixe, mas achava tudo aquilo um tanto esquisito e, porventura, profanador da legalidade. Procurei tranquilizá-los. Expliquei que a minha amiga era veterinária e estava a fazer uma experiência científica, aliás confidencial. Ainda assim, fui identificado e convidado a passar pela esquadra no dia seguinte. Os polícias saíram desconfiados, deitando-me olhares de revés. Mas tive oportunidade de rosnar para o velho chorincas quando ele ia a fechar a porta: “Com que então a roubar celacantos, hem? Livrem-se.” Lá fora ululou a sirene da polícia e foi-se perdendo, por Lisboa.
Ainda alcancei Jacinta na Rua da Escola Politécnica, em galope suado, brandindo o guarda-chuva e pastoreando o celacanto que deslizava rápido, por sacões, aparentemente com medo da ponta do artefacto. “Só agora?”, disse-me Jacinta ofegante, “quando preciso de ti é que tu não apareces”, e seguia correndo e eu com ela. O celacanto, de barbatanas a dar e dar, rabo coleante pelos ares fora, e nós a animá-lo.
Mas o momento crítico, em que ele podia endireitar para o largo do Rato e obrigar a grandes rasgos de esforço e de imaginação, foi surpreendentemente superado. Apesar da provecta idade da espécie, muitas vezes pré-histórica, pareciam ter-se insinuado nestes peixes instintos semelhantes aos de certos animais domésticos, como os gatos, os cães, os cavalos, os pombos e as andorinhas que, pelo sim pelo não, acabam sempre por voltar a casa. E assim, o celacanto, ao chegar junto à galeria entrou, decidido, porta adentro, raspando desajeitadamente a ombreira, que ficou com brilho de escamas. Rugido triunfal de Jacinta que fechou as ferragens com estrondo. Depois, voltou-se para mim e atirou-me, entredentes: “Tu não me apareças mais, ouviste? Põe-te na alheta”. Ainda fiz uns trejeitos de protesto, mas, cá no fundo, estava mortinho por me ir embora, e fui, a remoer a injustiça do despedimento.
Ah, mas a curiosidade é defeito humano, traiçoeiro e molesto. Jacinta não me atendia os telefonemas e, dias depois, eu fui à exposição para saber novas dela e, calhando, do celacanto. A inauguração tinha sido na véspera, havia meia dúzia de passeantes distraídos e uma mãe com uma criança que reclamava um gelado. Eu ia escondendo a cara com um jornal, mas não valia a pena, porque Jacinta não estava. Lá vi o passarão gigante, o escorrega, outras “instalações” e, de súbito, reparo que uma das paredes tinha agora um vidro com caixilho. Fui espreitar. Era um cubículo vazio, muito iluminado. Adejando, de boca encostada a um dos tabiques, barbatanas dolentes a ondear, deslizava, lento e gordo, o celacanto. Não sei se me reconheceu, mas o facto é que, repentino, descreveu uma elipse festiva ao redor do recinto
Recuei e atentei na inscrição, em acrílico, que informava debaixo do caixilho: “Celacanto Livre - Instalação de Jacinta Dalila”. Seguiam-se notas biográficas.


Mário de Carvalho